Mandado cumprido na segunda-feira (21), dentro da Operação Mulher Segura, autoriza análise de aplicativos de mensagens e armazenamento em nuvem; entenda como esse tipo de prova funciona
Um jovem de 21 anos, investigado por suspeita de gravar e divulgar imagens íntimas de mulheres sem consentimento, foi alvo de mandado de busca e apreensão em Ponta Porã na segunda-feira (21). A ação integrou a Operação Mulher Segura, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. pontaporainforma
O mandado foi cumprido pela Polícia Civil, por meio da Seção de Investigação Geral (SIG) da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande. Na casa do investigado, os policiais recolheram celulares, tablets e um notebook, que passarão por exames periciais em busca de possíveis provas. A partir de agora, o caso depende em boa parte do que os especialistas encontrarem nesses equipamentos. pontaporainforma
Como a investigação chegou aos dispositivos
As apurações começaram em novembro de 2025, quando uma mulher de 21 anos procurou a polícia. Ela relatou ter namorado o suspeito por cerca de seis meses e, após o fim do relacionamento, descobriu que ele guardava vídeos e fotos íntimas em que ela aparecia, alguns supostamente registrados sem seu conhecimento ou autorização. pontaporainforma
Outros relatos reforçaram a suspeita. Uma testemunha disse ter visto, em agosto de 2025, vários vídeos íntimos exibidos pelo investigado no celular, entre os quais reconheceu a então companheira dele. Em outubro do mesmo ano, segundo o depoimento, voltou a ver no aparelho vídeos e fotos de outras mulheres. pontaporainforma
Uma segunda mulher, que tinha 18 anos na época e também se relacionou com o investigado, contou à polícia ter visto em outubro de 2025 fotos e vídeos de mulheres guardados no celular dele. Ela afirmou ter reconhecido imagens próprias e disse acreditar que foi fotografada em poses íntimas sem perceber. pontaporainforma
Reunidos esses elementos, a Polícia Civil pediu à Justiça autorização para apreender celulares, tablets, notebook e outros equipamentos eletrônicos, além de periciar os dados armazenados, incluindo aplicativos de mensagens e serviços de armazenamento em nuvem. Esse detalhe é o que torna o caso um exemplo de como a investigação criminal depende cada vez mais da tecnologia. pontaporainforma
O que a perícia digital pode revelar
Em linhas gerais, a perícia em dispositivos eletrônicos começa com a preservação do material. Os peritos costumam trabalhar a partir de cópias fiéis dos dados, para que o conteúdo original não seja alterado, e registram cada etapa para garantir a cadeia de custódia, ou seja, a comprovação de que a prova não foi manipulada entre a apreensão e o laudo. Informações técnicas dos arquivos, como data e hora de criação, podem ajudar a esclarecer quando cada registro foi feito.
A inclusão da nuvem na autorização judicial tem razão prática. Muitos celulares sincronizam fotos e vídeos automaticamente com serviços on-line, de modo que um arquivo apagado do aparelho pode continuar guardado em uma conta remota. O acesso a esse conteúdo, porém, depende de ordem judicial específica, justamente o que a polícia solicitou neste caso.
Já a análise de aplicativos de mensagens pode ajudar a entender se o material ficou restrito ao aparelho ou se circulou entre outras pessoas. Essa diferença é relevante para a investigação, porque gravar sem consentimento e compartilhar o conteúdo são condutas distintas aos olhos da lei, e os registros de envio podem indicar para quem e quando algo foi repassado.
O que diz a lei e como as vítimas podem agir
O Código Penal prevê, no artigo 216-B, o crime de registro não autorizado da intimidade sexual. A tecnologia tem ampliado as formas de violação: no Paraná, por exemplo, o Ministério Público denunciou um homem de 21 anos por usar ferramentas de inteligência artificial para produzir imagens íntimas falsas de mulheres sem autorização, o que mostra que o problema vai além da gravação direta. bemparanabemparana
A ação em Ponta Porã faz parte de um esforço nacional. A Operação Mulher Segura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, busca intensificar a prevenção, a investigação e a repressão a crimes cometidos contra mulheres e meninas. Em Mato Grosso do Sul, a mesma operação já havia resultado em buscas por causa de imagens íntimas de uma adolescente que circularam em Dourados e Amambai, com apreensão de celular e outros equipamentos. midiamaxmidiamax
Quem é vítima de situação parecida pode tomar algumas medidas. O recomendado é não apagar conversas, guardar capturas de tela, links e nomes de perfis, e registrar ocorrência na Deam ou em qualquer delegacia. O Ligue 180 atende casos de violência contra a mulher em todo o país. Além disso, o Marco Civil da Internet permite que a própria vítima notifique a plataforma para remover conteúdo íntimo divulgado sem autorização, e o provedor pode ser responsabilizado se não agir.
Os equipamentos apreendidos serão submetidos a exames periciais para localizar e analisar possíveis provas relacionadas aos crimes investigados. O nome do investigado não foi divulgado e a reportagem de origem não menciona prisão. Como em qualquer apuração em andamento, ele é considerado inocente até eventual condenação, e o resultado da perícia deve ser decisivo para os próximos passos do inquérito. pontaporainforma
Fontes:
- Ponta Porã: Jovem é alvo de operação após suspeita de gravar mulheres nuas sem consentimento (Ponta Porã Informa, 23/09/2026, com informações do Campo Grande News)
- Polícia faz buscas depois de imagens íntimas de adolescente circularem em Dourados e Amambai (Midiamax)
- Jovem usa IA para criar imagens pornográficas e é denunciado no Paraná (Bem Paraná)