Segundo Paulo Henrique Silva Maia, Doutor em Saúde Coletiva pela UFMG, o acesso ao saneamento básico é um direito humano fundamental e uma condição essencial para garantir saúde, dignidade e qualidade de vida à população. No entanto, milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso adequado a água potável, esgotamento sanitário, coleta de lixo e drenagem urbana.
Neste contexto, o serviço social emerge como uma força estratégica na luta pela universalização do saneamento, atuando diretamente com as populações vulneráveis, promovendo educação sanitária e fortalecendo o protagonismo comunitário.
Qual é a situação atual do saneamento básico no Brasil?
Apesar dos avanços legislativos e de investimentos em infraestrutura, o Brasil ainda enfrenta um cenário alarmante de desigualdade no acesso aos serviços de saneamento. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada, e mais de 90 milhões vivem sem acesso à rede de esgoto.
Essas carências afetam principalmente regiões periféricas, áreas rurais, comunidades quilombolas, indígenas e populações em situação de pobreza extrema. Conforme aponta Paulo Henrique Silva Maia, a ausência de saneamento não é somente uma questão técnica ou orçamentária, mas uma expressão clara das desigualdades sociais históricas.
Como o saneamento básico afeta a saúde e o desenvolvimento social?
A falta de saneamento adequado está diretamente ligada à propagação de doenças infecciosas, como hepatite A, leptospirose, verminoses e diarreias — especialmente entre crianças. Além dos impactos na saúde, a ausência desses serviços compromete o acesso à educação, a inserção produtiva e a dignidade das comunidades. De acordo com Paulo Henrique Silva Maia, investir em saneamento é investir em prevenção de doenças, redução da mortalidade infantil, proteção ambiental e melhoria da qualidade de vida da população.
O serviço social atua de forma transversal no campo do saneamento, integrando conhecimento técnico, compromisso ético e ação política. O assistente social é o profissional que articula demandas comunitárias, mobiliza recursos e fortalece a cidadania de grupos historicamente excluídos. Veja como o serviço social pode fazer a diferença nessa luta:

Identificação de vulnerabilidades
O assistente social realiza diagnósticos sociais que ajudam a identificar as comunidades mais afetadas pela falta de saneamento e suas necessidades específicas. Esse mapeamento é essencial para direcionar políticas públicas com foco na equidade.
Mobilização e educação sanitária
A atuação junto à população, por meio de ações educativas, rodas de conversa e oficinas, é fundamental para promover a conscientização sobre direitos, higiene, prevenção de doenças e preservação ambiental.
Articulação com políticas públicas
O serviço social atua como ponte entre a comunidade e os órgãos públicos, contribuindo na elaboração de projetos de infraestrutura, inclusão em programas governamentais e fiscalização da execução de políticas.
Defesa de direitos e justiça social
Conforme destaca Paulo Henrique Silva Maia, os assistentes sociais têm papel estratégico na incidência política, denunciando violações de direitos e participando de conselhos, fóruns e movimentos sociais que lutam por saneamento digno para todos.
Por que a luta por saneamento deve ser coletiva?
O serviço social atua como articulador, promovendo a participação cidadã e contribuindo para a construção de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável. O Dr. Paulo Henrique Silva Maia ressalta que a universalização do saneamento não será alcançada apenas com obras e contratos — é preciso garantir que as vozes dos territórios excluídos sejam ouvidas e respeitadas.
Em suma, a luta pelo saneamento básico é uma luta por saúde, dignidade e justiça social. O serviço social, com seu compromisso ético e sua atuação junto às populações mais vulneráveis, tem papel essencial na construção de políticas públicas inclusivas e na garantia de direitos fundamentais.
Autor: Muntt Apiros