O fundador da Gráfica Print, Dalmi Defanti, observa as mudanças do setor gráfico em um contexto no qual os acabamentos passaram a oferecer novas possibilidades de aplicação. Escolher o acabamento de um material gráfico não significa simplesmente acrescentar recursos para torná‑lo mais sofisticado. Verniz, laminação, relevo, hot stamping e variadas texturas podem transformar a aparência e a percepção de uma peça, porém o resultado está condicionado à maneira como esses elementos se articulam com a proposta visual e potencializam a comunicação.
Confira a seguir!
Quando o acabamento deixa de ser detalhe?
O acabamento pode cumprir diferentes funções dentro de um projeto. Além de alterar a aparência, ele pode destacar uma informação, criar contraste entre áreas, proteger a superfície ou produzir uma determinada sensação ao toque. Por isso, sua escolha deveria acontecer ainda durante o planejamento da peça, e não somente depois que a arte estiver pronta. Essa definição antecipada também permite avaliar como o acabamento irá interagir com o papel, as cores, as imagens e os demais elementos utilizados na composição.
Um erro recorrente é tratar cada recurso disponível como uma oportunidade que precisa ser aproveitada. Quando diferentes acabamentos são aplicados simultaneamente, o material pode ganhar complexidade sem necessariamente ganhar qualidade. O excesso visual também pode dificultar a identificação da informação principal e enfraquecer a própria identidade da peça. Além disso, a combinação de muitos efeitos pode fazer com que o material pareça visualmente carregado, principalmente quando não existe uma hierarquia clara entre os elementos.
A pergunta mais útil, portanto, não é qual acabamento parece mais impressionante, mas qual deles resolve uma necessidade específica. Dalmi Defanti expõe que essa mudança de perspectiva ajuda a estabelecer critérios antes da decisão e evita que o resultado dependa apenas do impacto inicial. Um acabamento bem escolhido deve complementar a proposta visual e contribuir para a experiência do público, mantendo a peça equilibrada e coerente com sua finalidade.
Como relacionar acabamento e identidade visual?
A escolha precisa considerar a linguagem que a marca já utiliza. Uma identidade baseada em formas discretas e composição limpa pode perder coerência quando recebe uma combinação de efeitos muito intensos. Da mesma maneira, projetos que trabalham com uma comunicação mais expressiva podem encontrar no acabamento uma extensão natural de sua linguagem. A coerência visual ajuda a garantir que o acabamento complemente a identidade existente, em vez de criar uma aparência desconectada da proposta da marca.

Dalmi Defanti Cuiabá avalia que essa relação fica mais evidente quando o material é analisado como um conjunto. Papel, cores, tipografia, imagens, formato e acabamento participam da mesma experiência. Um recurso aplicado isoladamente pode parecer interessante, mas produzir outro efeito quando combinado com os demais elementos. Por isso, analisar a peça de maneira completa permite perceber possíveis excessos e encontrar combinações que valorizem tanto a criação quanto as características do material escolhido.
Menos acabamentos podem produzir mais impacto?
Em muitos casos, sim. Um único recurso aplicado em uma área específica pode criar contraste suficiente para chamar atenção sem sobrecarregar a peça. Um detalhe em relevo, por exemplo, pode destacar uma marca ou informação importante, enquanto uma textura pode criar uma diferença perceptível sem exigir uma composição visualmente carregada. A escolha pontual também facilita a percepção do efeito, fazendo com que o acabamento tenha uma função clara dentro da experiência proporcionada pelo material.
Também é preciso considerar a hierarquia, retrata Dalmi Defanti. Se todos os elementos recebem o mesmo tratamento especial, nenhum deles funciona realmente como destaque. O olhar deixa de encontrar um ponto de referência e o acabamento perde justamente uma das funções que poderia desempenhar. Definir previamente qual informação deve receber maior atenção ajuda a direcionar a aplicação dos recursos e evita que diferentes efeitos disputem espaço dentro da mesma composição.
Na prática, a contenção pode aumentar a percepção de qualidade porque permite que o recurso escolhido seja percebido com mais clareza. A intenção não é fazer o material parecer mais elaborado a qualquer custo, mas criar uma experiência coerente com aquilo que ele precisa comunicar. Quando cada escolha possui uma finalidade, o resultado tende a apresentar maior equilíbrio entre impacto visual, legibilidade e identidade, sem depender da quantidade de acabamentos utilizados.