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O que não dizer a uma vítima de violência doméstica? Confira com Taiza Tosatt Eleoterio

Kasper Vardvik
Kasper Vardvik janeiro 17, 2024 6 Min de leitura
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6 Min de leitura
Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio
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Uma vítima de violência doméstica costuma enfrentar, além da violência em si, uma segunda camada de sofrimento nas reações de quem está por perto. De acordo com Taiza Tosatt Eleoterio, profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, comentários feitos com aparente boa intenção podem minimizar o que ela viveu, colocar em dúvida suas escolhas ou até atribuir a ela parte da responsabilidade pelo que sofreu. Pensando nisso, a seguir, abordaremos quais frases evitar, por que elas machucam mais do que parecem e como oferecer apoio real.

Contents
Por que minimizar a violência agrava o sofrimento da vítima?Frases que responsabilizam a mulher pela violência sofridaDecisões complexas podem ser resumidas em uma frase?Como oferecer apoio sem repetir esses erros?O gesto que pode mudar a trajetória de uma vítima

Por que minimizar a violência agrava o sofrimento da vítima?

Frases como “isso não foi para tanto” ou “muita gente passa por coisa pior” partem do pressuposto de que existe um patamar mínimo de sofrimento que justificaria a dor relatada. Taiza Tosatt Eleoterio indica que, na prática, esse tipo de comparação invalida a experiência de quem fala e transmite a mensagem de que o relato não merece atenção total, apenas uma escuta parcial e condicionada.

Dessarte, minimizar o relato costuma vir de um desconforto de quem ouve, não de má intenção declarada. Contudo, o efeito é o mesmo: a vítima aprende que contar o que viveu gera desconfiança ou correção, e passa a guardar para si o que deveria ser compartilhado com quem pode ajudar.

Frases que responsabilizam a mulher pela violência sofrida

Outro erro recorrente é transferir para a vítima parte da culpa pelo que aconteceu, questionando roupa, horário, tom de voz ou tolerância anterior. Conforme frisa Taiza Tosatt Eleoterio, esse tipo de pergunta, mesmo sem essa intenção, sugere que a violência teve uma causa que a própria pessoa agredida poderia ter evitado. Isto posto, entre as frases mais comuns nesse sentido estão:

  • “Por que você não foi embora antes”;
  • “Você deve ter feito algo para provocar”;
  • “Você sabia como ele era e ficou mesmo assim”;
  • “Isso é coisa de casal, não se mete”.

Esse padrão de pergunta desloca o foco do agressor para a conduta da vítima, o que reduz a responsabilização de quem efetivamente cometeu a violência. O resultado é uma vítima que passa a se questionar em vez de buscar apoio, exatamente o efeito contrário ao que uma escuta cuidadosa deveria produzir.

Decisões complexas podem ser resumidas em uma frase?

Perguntas como “por que você não denunciou logo” ou “por que voltou tantas vezes” tratam uma decisão cercada de medo, dependência financeira, filhos envolvidos e histórico de ameaças como se fosse uma escolha simples. Sair de uma relação violenta envolve cálculo de risco real, muitas vezes mais perigoso no momento da saída do que durante o relacionamento.

Como profissional com atuação em apoio a mulheres e famílias em situação de vulnerabilidade, Taiza Tosatt Eleoterio alude que cobrar uma resposta rápida da vítima ignora esse cálculo e transforma o apoio em pressão. Assim sendo, o papel de quem escuta não é definir o ritmo da decisão, mas garantir que a pessoa tenha informação, rede de apoio e segurança suficientes para decidir no próprio tempo.

Como oferecer apoio sem repetir esses erros?

Substituir perguntas cobradoras por frases que reafirmam apoio já reduz o impacto negativo de uma conversa mal conduzida. Perguntas como “como posso ajudar agora?” ou “o que você precisa de mim?” deixam a vítima no controle da própria narrativa, sem forçar detalhes que ela ainda não está pronta para compartilhar.

Ademais, manter contato regular, sem cobrança de atualização constante, também sustenta a rede de apoio ao longo do tempo, como demonstra Taiza Tosatt Eleoterio. Vítimas de violência doméstica costumam levar tempo para tomar decisões definitivas, e cada gesto consistente de presença pesa mais do que uma única conversa bem-intencionada seguida de silêncio.

O gesto que pode mudar a trajetória de uma vítima

Em última análise, diante de um relato de violência doméstica, escutar sem julgar costuma valer mais do que qualquer conselho pronto. Frases “como “estou aqui”, “acredito em você” e “você não está sozinha” abrem espaço para que a vítima fale no seu próprio ritmo. Esse tipo de resposta reduz o isolamento, que é justamente o que mantém muitas mulheres presas ao ciclo de violência.

Ou seja, trocar uma pergunta que cobra por uma escuta ativa já muda a experiência de quem busca ajuda. Cada comentário cuidadoso soma-se a uma rede de apoio mais ampla que, no fim, pode ser o que faltava para a vítima encontrar coragem e segurança para romper o ciclo de violência.

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