PTIn nasceu na fronteira com o Paraguai para virar polo de inovação e já registra crescimento expressivo de público e engajamento digital
Inaugurado em março deste ano, o Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã, conhecido pela sigla PTIn, já mostra sinais concretos de que a aposta em inovação na fronteira com o Paraguai começou a dar resultado. Em pouco mais de três meses de funcionamento, o espaço passou a reunir startups, universidades, empresas e entidades de fomento em um mesmo ambiente, com o objetivo declarado de transformar Ponta Porã em referência regional de tecnologia e empreendedorismo.
A pergunta que motiva quem acompanha o projeto é direta: um parque tecnológico realmente muda a economia de uma cidade de fronteira, ou se trata apenas de um espaço físico bonito, mas com pouco impacto prático? Os números divulgados pela própria gestão municipal e os relatos de quem já passou pelo espaço apontam para uma resposta mais otimista, embora o projeto ainda esteja em fase inicial e dependa de consolidação nos próximos anos para confirmar seu potencial transformador.
Como nasceu o PTIn e o que ele oferece na prática
O Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã e o Centro de Cultura, Empreendedorismo, Inovação e Memória do Tereré foram inaugurados em 13 de março, ocupando uma estrutura de mais de 1.600 metros quadrados planejada para funcionar como ambiente estratégico de inovação, capaz de transformar ideias em negócios escaláveis e fortalecer o desenvolvimento econômico e tecnológico da região de fronteira entre Brasil e Paraguai. O complexo foi dividido em dois pavimentos: no primeiro funciona o CEIMPP, com cozinha-escola, salas para cursos profissionalizantes e loja criativa, enquanto o segundo pavimento abriga o PTIn, com laboratórios, espaços de coworking, incubadoras e salas para empresas residentes e startups. Ponta PorãSEMADESC
O investimento para viabilizar a estrutura envolveu diferentes esferas de governo. O governador Eduardo Riedel destacou que o Governo do Estado contribuiu com R$ 1,7 milhão por meio de convênio entre a Fundect e a Prefeitura de Ponta Porã, classificando o parque como equipamento estratégico tanto para o município quanto para a integração com o Paraguai. Outras fontes apontam ainda a participação de recursos do Fonplata, organismo financeiro internacional, somados a aportes estaduais e federais, totalizando um investimento relevante para garantir a infraestrutura do espaço, que foi concebido para integrar empresas, pesquisadores e universidades. A inspiração do projeto, segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, veio do modelo de atuação do Parque Tecnológico Itaipu, localizado na usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu, também na fronteira entre Brasil e Paraguai. Ponta Porã + 2
Crescimento de público e parcerias surpreende em poucos meses
Passados pouco mais de cem dias de funcionamento, os números de engajamento do PTIn chamam atenção pela escala, especialmente considerando o porte da cidade. O perfil do parque nas redes sociais passou de um milhão de visualizações em pouco mais de três meses, com crescimento de 562% no número de seguidores, sendo que mais de seis em cada dez pessoas que viram o conteúdo não acompanhavam a página anteriormente, o que indica alcance entre público novo e de fora da região. Ponta Porã
Além da repercussão digital, o espaço já formalizou parcerias relevantes para sustentar suas atividades. Em poucos meses, o PTIn firmou parceria com 15 instituições, entre universidades brasileiras e paraguaias, empresas, entidades como Sebrae, Senac, Senai e Fiems, além de governos e fundações. Esse tipo de articulação é o que sustenta a realização de eventos como o Startup Day, no qual representantes do Paraguai sentaram lado a lado com empreendedores brasileiros, em iniciativas que reforçam o caráter binacional do projeto. O espaço também já foi escolhido para sediar encontros estratégicos, como a Reunião Estratégica Regional da plataforma Connected Smart Cities, realizada em março, reunindo gestores públicos e especialistas em inovação para debater os desafios do desenvolvimento inteligente das cidades brasileiras. Ponta Porã + 2
Quem pode usar o parque e qual o impacto esperado para a população
Um dos pontos que diferencia o PTIn de iniciativas semelhantes é a abertura para públicos variados, e não apenas para empresas já estruturadas. Entre os visitantes registrados nos primeiros meses estão artesãos que buscaram aprender a divulgar o próprio trabalho, estudantes de uma escola do assentamento Itamarati conhecendo laboratórios pela primeira vez, além de alunos do programa Jovem Aprendiz, visitantes de universidades e empresários interessados em entender o funcionamento de um ecossistema de inovação. Essa diversidade de público é apontada pela gestão municipal como prova de que o espaço não se restringe a um nicho técnico, mas busca democratizar o acesso à tecnologia na região de fronteira. Ponta Porã
Entre os objetivos centrais do PTIn está a inclusão social, com programas de capacitação e formação para a população local, possibilitando que mais pessoas tenham acesso a empregos qualificados, além de parcerias com instituições de ensino para garantir que a comunidade se beneficie diretamente das oportunidades geradas pelo parque. Para a Prefeitura, investir em tecnologia significa, na prática, melhorar a saúde com atendimento mais ágil, fortalecer a educação, gerar empregos e tornar os serviços públicos mais organizados e eficientes, argumento que busca conectar o discurso de inovação a ganhos concretos no cotidiano de quem vive na cidade. CorumbamsPonta Porã
O PTIn ainda está nos primeiros passos de uma trajetória que, segundo a própria gestão municipal, deve se estender por anos antes de mostrar seu potencial pleno de transformação econômica para a fronteira. Os números iniciais de engajamento e as parcerias já firmadas indicam que o projeto despertou interesse além das fronteiras do município, mas o verdadeiro teste estará na capacidade de transformar startups incubadas em empresas consolidadas e empregos efetivos para a população local nos próximos anos.
Fontes consultadas:
Prefeitura Municipal de Ponta Porã (pontapora.ms.gov.br)
PTIn – Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã (ptin.pontapora.ms.gov.br)
Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS – Semadesc (semadesc.ms.gov.br)
Campo Grande News (campograndenews.com.br)
Autor: Diego Rodríguez Velázquez