O mercado automotivo brasileiro impõe desafios crescentes ao consumidor em 2026. Os modelos de entrada já superam a marca dos R$ 80 mil, impulsionados por tecnologia embarcada, custos logísticos e exigências de sustentabilidade, tornando a compra à vista inacessível para a maioria e o financiamento tradicional um fardo pesado devido às altas taxas de juros. Nesse cenário, o consórcio de veículos consolida sua posição como alternativa estruturalmente mais barata para quem quer trocar de carro sem comprometer o orçamento por anos. Tiago Oliva Schietti, especialista em financiamentos e consórcios, demonstra um momento em que o segmento de veículos leves concentra a maior base de consorciados ativos do país.
Se você quer entender por que tantos motoristas têm migrado do financiamento para o consórcio, este artigo apresenta os pontos centrais dessa decisão.
Por que o financiamento de veículos ficou tão caro?
O custo do financiamento automotivo está diretamente atrelado ao cenário de juros da economia. Com a Selic em 14,25% ao ano em junho de 2026, as taxas praticadas pelas instituições financeiras para crédito veicular permanecem em patamares elevados, e o impacto no valor final do bem é significativo.
Carros e motos tendem a perder valor com o tempo. Ao optar pelo financiamento, o comprador pode pagar bem mais do que o valor de mercado do veículo ao final do contrato. A combinação entre depreciação do bem e acúmulo de juros compostos cria uma equação desfavorável para quem financia sem entrada robusta ou sem prazo controlado. Tal como elucida Tiago Oliva Schietti, analisar o Custo Efetivo Total de um financiamento veicular, e não apenas o valor da parcela mensal, é o ponto de partida para qualquer decisão consciente nesse segmento.
O consórcio de veículos resolve o problema dos juros?
A resposta estrutural é sim: o consórcio não cobra juros. O custo do serviço se limita à taxa de administração, fixada em contrato desde o início e diluída ao longo das parcelas. No consórcio, embora exista a taxa de administração, ela costuma ser diluída ao longo do plano e não sofre o impacto dos juros compostos. Isso significa que o consumidor sabe, desde o início, quanto vai pagar até o fim do contrato.

Além da previsibilidade de custos, a carta de crédito oferece uma vantagem concreta no momento da compra. Ao ser contemplado, o consorciado recebe uma carta de crédito com poder de compra à vista, o que confere maior poder de negociação na concessionária, possibilitando descontos e melhores condições. Poucos compradores financiados conseguem esse mesmo tipo de vantagem, já que o financiamento não dá ao vendedor a percepção de uma transação à vista. Como frisa Tiago Oliva Schietti, a carta de crédito transforma o consorciado contemplado em um comprador com poder de barganha real.
Quem se beneficia mais do consórcio de veículos?
O consórcio de veículos não serve para todos os perfis de forma igual. Quem depende do carro de maneira urgente, para trabalho imediato, substituição emergencial ou mobilidade inadiável, encontra no financiamento a única alternativa viável, apesar do custo maior. A posse imediata é, de fato, o principal trunfo do crédito bancário.
Para os demais perfis, a equação pende para o consórcio. O consórcio é mais interessante para o comprador que pensa no médio e longo prazo e não quer entrar em um contrato com juros altos apenas para antecipar a posse do veículo. Motoristas que planejam trocar de carro daqui a um ou dois anos, quem está no primeiro veículo sem urgência declarada, ou ainda quem quer usar o 13º salário ou uma reserva para dar um lance competitivo, todos esses perfis têm no consórcio uma alternativa financeiramente mais eficiente. Segundo Tiago Oliva Schietti, como empresário especialista em consórcio, a escolha certa depende menos do produto e mais do momento de vida e dos objetivos financeiros de cada um.
Os números do setor e a consolidação do consórcio de veículos em 2026
Os dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios confirmam a força do segmento de veículos em 2026. As vendas de cotas de veículos leves totalizaram 182,04 mil em janeiro de 2026, crescimento de 6,8% na comparação com janeiro de 2025, enquanto os créditos comercializados somaram R$13,01 bilhões, avanço de 12,5%.
O segmento de motocicletas também registra trajetória positiva, com crescimento de 10,6% nas vendas de cotas no mesmo período. Esses números indicam que o brasileiro tem buscado o consórcio não apenas para carros de alto valor, mas também para veículos de uso diário e mobilidade urbana. O segmento de veículos alcançou 1,91 milhão de adesões em 2025, de acordo com a ABAC. Para Tiago Oliva Schietti, a consistência desse crescimento ao longo dos anos é o sinal mais claro de que o consórcio de veículos deixou de ser uma alternativa marginal e passou a ocupar um lugar central no planejamento financeiro do brasileiro que quer trocar de carro com inteligência.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez